domingo, 30 de maio de 2010

Nacht #6: Vertrauen

Boa noite, galere, como estão? Espero que ansiosos por esse capítulo! xD Desculpem a demora em postar, mas é que tenho tido uns problemas em casa... nada grave! Enfim, espero que curtam essa Nacht, que por acaso significa "Confiança". Até a próxima!


Fiz uma leve reverência para os presentes, nos aproximamos e sentamos à mesa, com todos os vampiros com os olhos em nós dois. Apoiei os cotovelos sobre a mesa, e juntei as mãos à frente da face. Enfim, iniciei:

_Boa noite, senhores. Meu nome é Mikhail, e é um prazer estar aqui em sua presença. Espero que possamos lidar com a situação atual, de forma que possamos beneficiar ambos os lados._ao que um dos vampiros, grisalho e de aparência frágil, respondeu:

_E quais seriam os seus interesses, garoto?

_Queremos descobrir quem é Viikate, queremos respostas dessas pessoas que estão caçando minha noiva. E bem, se eles têm interesses destrutivos para com ela, melhor ainda se eu puder me livrar deles de uma vez.

_Este é o ponto em que nossos interesses convergem, Alex!_completou Soren, com um largo sorriso, dirigido ao velho vampiro._Inimigos de nossos inimigos são nossos amigos, e por conta disso, devem ser somados aos nossos números atuais. Dessa forma, poderemos esmagar a Grádig e seus negócios sujos.

Soren realmente tinha o poder da retórica. Seu breve discurso despertou aquele pequeno grupo de homens, que imediatamente pararam de contestar, e decidiram ouvir o que aquele jovem tinha para dizer. Percebendo a deixa, Soren prosseguiu com a reunião que tinha planejado:

_Mikhail e Sophia, vou explicar como as organizações funcionam aqui na cidade. Há muitos anos atrás, nasceu o conglomerado Grádig, primeira grande empresa liderada por um vampiro. Criada por simples tédio, ela tornou-se a economia mais sólida da capital. Porém, em seus braços mais obscuros, tornou-se um antro de foras-da-lei, manipuladores e corruptos. Este foi o maior motivo da criação da Vildfarne, como uma dissidência ao crescimento de uma empresa que decaiu para um mundo mais lucrativo, mas nem um pouco lícito.

_Além destes dois poderes vampirescos, ainda há as pequenas gangues, que agem por conta própria, causando uma grande desordem. Normalmente formada por vampiros decaídos, que ainda atacam humanos._Alexander, o vampiro idoso que acompanhava Soren, prosseguiu com a explicação._As outras duas facções a serem discutidas são o Conselho de Anciões, que finge não ver nada, e que suspeitamos que tenha envolvimento com os nossos estimados rivais, e por último e menos importante, os Hunters. Não os ferimos, nem eles nos ferem. Eles simplesmente limpam as ruas das gangues, para proteger os outros humanos.

_E o governo? Não coíbe as atividades ilegais da Grádig? Não investigam?_perguntei, atônito com a quantidade de vampiros espalhados pela capital. Deduzi que isso era explicado pelas noites, tão mais longas que os dias, na região. Alexander tentou conter o riso, em vão.

_Suas organizações estão alheias a tudo isso, humano. Facilmente manipuláveis e corruptíveis. Eles cuidam de ladrões de banco, batedores de carteira, e os humanos envolvidos nos empreendimentos criminosos da Grádig, mesmo sem saber. Eles simplesmente fazem o serviço, e recebem o pagamento. Não perguntam, não questionam, e não fazem idéia de quem estão lidando.

Olhei para Sophia, que retribuiu meu olhar, igualmente pasma com tamanha organização e manipulação por parte daqueles grupos independentes de vampiros. Estava pensando em como fazer para passar por tantos percalços em direção às respostas que queríamos, quando ouvimos uma nova voz, entre os membros da Vildfarne:

_Evidentemente Soren deve ter bons motivos para querer trazê-los para o nosso lado, porém creio que ainda não tenha percebido que está lidando com um poder muito acima da sua alçada, humano.

_Eu acredito que Soren não tenha explicado direito, mas meu noivo é tão capaz de lidar com vampiros quanto eu, ou você._disse Sophia, tranquilamente.

_Bem, isso ele vai ter que demonstrar. Vamos sair, fazer um pequeno teste! _respondeu o rapaz, altivo e severo, levantando-se de sua cadeira. Soren levantou-se com ele, e tentou persuadi-lo a evitar conflitos:

_Por favor, Stephan! Sejamos razoáveis, isso não é necessário...

Mas eu assenti, com um sorriso. Não seria desafiado por um vampiro qualquer e me manter passivo àquilo. De qualquer maneira, me sentia tentado a ver o tipo de poder que a Viikate possuía, e se era realmente possível combatê-los. Respondi, fixando o olhar em Stephan.

_Por mim tudo bem, só preciso que me mostre aonde ir, e o que fazer.

Saímos da sala de reunião, deixando pra trás os outros membros do grupo. Na rua, um carro e algumas motos já nos esperavam. Sophia, Soren, Stephan e eu entramos no carro, acompanhados pelo motorista. Em seguida, outros dois vampiros subiram nas motos. Iriam juntos de nós, no que quer que fossemos fazer. Stephan, no banco da frente, disse:

_Um contato disse que hoje uma divisão da Viikate seria mandada para atacar um escritório nosso, então preparamos nossas defesas. Se é tão bom nisso, humano, então ajude a defender o local.

Tirei a espada das costas, mantendo o semblante tranqüilo, enquanto o motorista e as motos rasgavam as ruas e avenidas rapidamente. Sophia segurava meu braço, ao meu lado, enquanto Soren lia um livro, o olhar baixo. Falou, com a voz baixa:

_Não precisa fazer isso, Mikhail. Temos soldados suficientes para deter uma ameaça como essa.

Mas eu tinha sido desafiado, e estava criando certo orgulho. Além disso, era uma forma de adquirir a confiança daqueles que pareciam ser os aliados mais fortes que tínhamos. O carro parou, abruptamente. Havíamos chegado ao local marcado. Aproximadamente 10 vampiros conversavam próximos a um poste, em uma esquina. Seguimos até eles.

_Lorde Soren, que honra ter o senhor aqui. Porém, deveria se afastar. Eles se aproximam com rapidez. _disse um dos vampiros, olhando de relance pra mim e minha noiva.

_Eu já sinto o cheiro deles de longe, Richard. Não se preocupe. Estes são Mikhail e Sophia, eles vão auxiliar na operação. Espalhem-se! Stephan, entre em contato com o pessoal na torre. Diga a eles que eu estou subindo, para dar apoio. _Soren falava de forma autoritária, porém com calma e tranqüilidade. Seus homens se espalharam pela rua, ao redor do grande prédio para o qual se dirigia agora. Enquanto isso, eu me encostei-me ao poste onde antes estava o pequeno grupo, e esperei, com Sophia.

_Devemos mesmo fazer isso? Não queria me envolver tanto, querido. _Sophia sussurrava, olhando ao redor. A neve caía fina e não estava tão frio, porém não se via qualquer movimento nas ruas. Respirei fundo e disse, mantendo minha espada a postos, porém escondida de olhares alheios:

_Bem, é nossa melhor chance, meu Amor... De que outra forma poderíamos encontrar os líderes da Viikate, os homens que te querem morta? Aliando-nos a Vildfarne, teremos uma chance, e vamos encontrar as respostas que queremos, está bem?

Sophia assentiu, me abraçando com força.

_Obrigada, Mika.

_Ahem, Sophy... Prepare-se. _sussurrei em seu ouvido, quando vi inúmeros vultos aproximando-se pela rua. Sorri, beijando a testa de minha noiva. Íamos lutar.

sábado, 22 de maio de 2010

Nacht #5: Versammlung

E aí, pessoas? Muito bem, esta que vos fala finalmente criou coragem para postar o capítulo 5, apesar de tê-lo terminado de escrever no início da semana. É que... sei lá. Deu preguiça de digitar (lol?), mas hoje criei coragem (e vergonha na cara) pra publicar. Espero que seja do agrado de vocês :3 O título de hoje significa "reunião". Boa leitura =)




Eu olhava fixamente para o cartaz com minha foto, enquanto meu noivo conversava com Nikolai e seu jovem amigo, na ponta mais afastada da grande mesa. A menina vampira e irrompera pela sala com o rapaz sentou-se junto a mim, segurando sua boneca, e me olhou, séria.

- A senhora é famosa?

Eu sorri, e acariciei seus cabelos cor de avelã.
- Não, não sou.
- Então, por que o Soren tem uma foto sua?
- Bom, porque... Somos amigos - eu sorri, meio sem graça. Não gostava de mentir, mas era necessário.
- Ah! Sim! - ela sorriu, contente. Depois, apontou para Mikhail - E aquele, quem é?
- O meu noivo.
- Um humano? Vai casar com um humano? - Lene me olhou com curiosidade e admiração infantis.
- Sim - sorri pra ela - Porque o que importa de verdade é se existe amor, e não o que cada um de nós nasceu sendo.
A menina deu um sorriso largo, e me mostrou a boneca.
- Ganhei da minha amiga Clair, no aniversário. Clair é humana também. Papai diz que o mundo seria um lugar melhor, se todos pudessem ser amigos.
- Ele está certo.
Ela balançou a cabeça afirmativamente, e se levantou, correndo pra fora da sala. Parou na porta, e virou para mim novamente.
- Boa sorte, moça! Tomara que ache quem quer achar.

Ela saiu correndo, e eu sorri comigo mesma. Parecia que, apesar de ser uma família de mercenários, tinham seu próprio código de honra. Viemos ao lugar certo, afinal.

- Querida - a voz de Mikhail despertou-me de meu devaneio - Está tudo certo. Amanhã conheceremos o resto da Vildfarne. Johanson convocará uma reunião, e nos apresentará aos demais.
- Vamos unir forças - falou o rapaz, seus olhos azuis me fitando com uma expressão serena - Será uma aliança vantajosa para ambos os lados.
- Estejam aqui amanhã, meia noite e meia - falou Nikolai, levantando de sua cadeira - E um conselho... - a expressão dele ficou sombria - Tomem cuidado. As informações nessa cidade correm muito rapidamente.
Mikhail passou o braço sobre meus ombros, olhando-o com seriedade.
- Obrigado. Seremos cuidadosos.
A expressão do velho vampiro se descontraiu, e ele sorriu.
- Sim, serão. E a propósito, minha jovem - ele me olhou com os olhos brilhando - Escolheu um homem de valor, humano ou não.
- Eu sei - respondi, com um sorriso.



- Que impressão teve deles ontem? Acha que estão falando a verdade?
- Não acredito que estejam mentindo, Sophy. Eles me pareceram bem honestos, apesar do trabalho que executam.

Eu suspirei, e tomei um gole do meu chocolate quente. O céu escuro anunciava mais neve, apesar de ser cedo da noite. Ainda faltava quase 3 horas para o encontro, e, enquanto isso, eu e meu noivo apenas conversávamos no espaço comum do hotel, os preparativos feitos desde cedo.
- É, vamos esperar pra ver...
Passamos mais alguns minutos conversando amenidades, e depois nos retiramos para descansar um pouco até o encontro. Duas horas depois, saíamos pela porta do hotel, pegando o carro e rumando ao bar dos vampiros.
Com uma leve expressão de desagrado, o segurança nos deixou passar. O lugar estava vazio, exceto por um concentrado e pensativo Nikolai. Ele sorriu, ao nos ver.

- Bem-vindos jovens. Por favor, venham comigo até a sala. Estão todos esperando ansiosos...
Seguimos com ele até a sala. Ele abriu a porta, e então, à meia luz, divisei várias silhuetas sentadas ao redor da mesa enorme. Eram homens sérios, de expressão fria. Doze deles. Seus olhos voltaram-se para mim, e alguns sorriram de modo sombrio.
- Senhores... - começou Soren, que se levantara de seu lugar na ponta da mesa para nos receber, um sorriso sereno nos lábios - Apresento-lhes Mikhail Kreuz, e sua noiva, a amável senhorita Sophia Von Klaus.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Nacht #4: Begleiter

E aí, galera! Mais um capítulo para vocês, que este ser que vos fala esqueceu de publicar! Enfim, leiam e divirtam-se! (btw, o título significa "Companheiros". Spoiler! =O)


_Todos são vampiros, não são?_perguntei a Sophia, enquanto caminhávamos em direção à entrada do movimentado café.

_Provavelmente. Não consigo perceber a presença de nenhum humano, ou outras criaturas. Acho melhor eu entrar lá sozinha, querido.

_De jeito nenhum, Sophy! Vamos primeiro tentar outros meios..._e me encaminhei ao enorme segurança que guardava a entrada. Obviamente, tive a passagem impedida.

_Desculpe senhor, mas este é um bar VIP. Peço que se afaste._ao que minha noiva disse:

_Ele está comigo, nem assim podemos entrar?

O vampiro olhou-a por algum tempo,

_Regras da casa, madame. Pessoas como seu acompanhante não são bem vindas.

Retirei o capuz, revelando o punho de minha espada ao vampiro e disse, com a voz reduzida a um sussurro:

_Eu sei me defender, vampiro. Não se preocupe, só viemos fazer umas perguntas, e não causaremos tumulto. Além do mais, eu tenho sangue ruim._e um esgar sombrio passou por minha face.

Incrédulo, o enorme segurança apenas continuou a me encarar, revelando levemente as presas, em um meio rosnado.

_Tudo bem, humano. Mas por sua conta e risco._e liberou nossa passagem.

Assenti com a cabeça, entrando no ambiente. Alguns rostos se voltaram para mim e Sophia, mas a maioria dos presentes continuou com suas conversas, mal notando minha presença. Tive o cuidado de esconder novamente o punho da espada, e, de mãos dadas com minha noiva, seguimos ao balcão. O balconista se aproximou, surpreso com minha coragem (ou minha loucura).

_Boa noite, sejam bem vindos, turistas! Em que posso servir vocês?

_Uma dose de uísque, por favor._pedi, sentando-me em um dos bancos de madeira, no centro do balcão._e quanto a você, querida?_perguntei, virando-me para Sophia.

_Eu vou querer o mesmo, senhor.

O garçom assentiu, e trouxe dois copos largos, cheios até a metade com um uísque de aroma forte, e igualmente forte ao paladar. Vimos que o balconista continuava próximo, provavelmente curioso para qualquer coisa que um humano tivesse naquele ambiente. Tossi, e então perguntei-lhe diretamente:

_Ei amigo, por favor, nós queríamos fazer algumas perguntas. Será que pode nos ajudar?

O balconista assentiu, e aproximou-se mais do balcão, com um largo sorriso.

_Claro, o que precisam saber?

Sophia tirou do bolso o símbolo da foice negra, colocando-o sobre o balcão. Perguntou em voz baixa:

_O que pode nos dizer sobre isso, senhor? Acredito que possa ter informações sobre isso, e ficaríamos muito felizes se pudesse nos auxiliar.

O velho balconista coçou a barba, olhando para o símbolo com aparente dúvida. Ergueu uma sobrancelha, e então disse, sem olhar para nós:

_Desculpem, não posso ajudá-los, garotos. Nunca vi nada assim antes.

Sussurrei, os olhos perfurando o balconista:

_Viikate. Não significa nada para você?

Ao engolir em seco, o vampiro entregou seu conhecimento. Olhei para Sophia, que assentiu. Antes que pudéssemos falar qualquer outra coisa, o velho disse:

_Me acompanhem, senhores._e já foi seguindo ao final do balcão, onde havia uma pequena porta.

Dei de ombros, e largando os copos no balcão, seguimos o vampiro pela porta dos fundos, atentos a qualquer emboscada. Porém, o balconista apenas nos levou a uma sala vazia, nos fundos do bar. Sentamo-nos em volta de uma mesa, e então o velho começou a dizer:

_Primeiramente, deixe me apresentar. Meu nome é Nikolai. Agora me digam, como dois estrangeiros, sendo um deles um humano, ficaram sabendo da Viikate?

Sophia, com um sorriso nos lábios, relatou ao homem sobre o ataque que sofrera, e sobre a morte de seus pais, deixando de lado certos fatos que talvez comprometessem a investigação. Por fim, perguntou:

_Então senhor Nikolai, do que se trata a Viikate, afinal?

_Bem, a Viikate é um dos braços da organização mafiosa Grådig. Digamos que são aqueles que “sujam as mãos” dentro da organização. São os høstfolkene, os Ceifadores.

_Grupo de extermínio._falei, imaginando o envolvimento de minha noiva nos negócios da máfia, quando ouvimos alguém bater na porta.

_Far?_disse uma suave voz feminina do lado de fora.

_Sim filha, estou aqui, mas estou ocupado._Nikolai falou em voz alta, e nos lançou um olhar, nervoso.

_Posso entrar?_a menina perguntou.

Eu e Sophy nos entreolhamos, assentindo em seguida. Nikolai deu então a ordem para que entrasse, porém logo atrás dela um vampiro de aspecto jovial adentrou na pequena sala, dizendo:

_Desculpe, Nikolai. Vi que veio para cá com o humano e essa garota, e fiquei intrigado. Pedi então para a pequena Lene me acompanhar até aqui. Podem me explicar o que fazem aqui, estrangeiros?

_Eles queriam informações sobre a Viikate, Soren._Nikolai falou tranquilamente, ao que os olhos questionadores da garota e do jovem vampiro se voltaram para nós. Sophia se adiantou:

_Desculpe, Soren. Meu nome é Sophia, e fui atacada em minha casa, na Alemanha, por homens contratados por essa tal Viikate. Investigando, acabamos vindo parar aqui.

Soren abriu um sorriso simpático, e tirando um folheto do bolso, disse:

_Eu imagino o que uma garota como você fez para ser caçada pela Viikate. Aliás, a recompensa por você não é das piores.

Entregou-nos o folheto, onde havia um retrato de Sophia e uma grande quantia sendo oferecida por pistas de seu paradeiro. Minha noiva parecia atônita, enquanto eu tirava o sobretudo rapidamente, e segurava o cabo de minha espada, pronto para atacar qualquer um daqueles vampiros. Soren continuou sorrindo, e fez um gesto para me acalmar.

_Não se preocupem, vocês dois. Vieram ao lugar certo. Aqui, ninguém compactua com a... Concorrência.

Ao ver a expressão de perplexidade em nossos rostos, Soren completou:

_Sou Soren Johanson, líder dos Vildfarne, e principal rival do grupo Grådig. Será um prazer trabalhar com vocês, kammerater.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Nacht #3: Die Suche

E aí, pessoas? Capítulo novinho, escrito hoje mesmo! Espero que seja do agrado de vossa senhoria =P O título de hoje? "A Busca". Divirtam-se!




A Dinamarca era um lugar frio. Especialmente naquela época do ano. Apesar de estar localizada logo abaixo da Península da Escandinávia e, por isso, ter o benefício da aquecida corrente marítima do Golfo no inverno, as temperaturas não saíam da parte negativa do termômetro. Bem agasalhados, os cidadãos de Copenhage pisavam a neve das calçadas, no centro, fazendo compras e se reunindo em cafés aquecidos e apinhados de gente. Um inverno típico. Mas não para mim.
No dia seguinte ao atentado à casa de meu pai, já havíamos partido, chegando pouco depois do meio dia. Não havia tempo a perder – afinal, as férias de inverno acabariam em pouco mais de uma semana, e teríamos de voltar às aulas.
Estabelecemo-nos em um hotel num bairro calmo e tradicional da cidade, próximo ao centro. Não havia, no entanto, muitas pistas a seguir, e as que tínhamos eram muito vagas, e talvez não nos levassem a lugar nenhum. O próprio assassino mandado até nós deu informações que sabíamos estarem erradas (como o fato de eu ser uma vampira perigosa e exilada na Alemanha), o que mostrava que fora manipulado com informações falsas. Ele sequer sabia que seria uma missão suicida, pois tentaria invadir a casa de um dos Hunters mais famosos do país.
Então, por onde começar? Eu e Mikhail decidimos descansar no hotel, e esperar até a noite para agir. Faríamos primeiro uma busca menos específica, para encontrar os meus semelhantes dinamarqueses. Falando com eles e com um pouco de sorte, poderíamos conseguir pistas do local onde aqueles vampiros foram contratados, e quem fez isso.
Finalmente, às 22 horas, começamos nossos preparativos. Pegamos nossas armas, escondendo-as por baixo de nossos sobretudos, e fomos para a rua fria, onde começavam a cair alguns flocos finos de neve. Eu sorri.

- Parece um dia perfeito para achar vampiros.
- Mesmo? – Mikhail sorriu também, abrindo para mim a porta do carro que havíamos alugado para nossa estadia em Copenhage – Por que acha isso?
- Porque se parece muito... Com o dia em que meus pais morreram.

Meu noivo beijou-me a testa, me abraçando forte.

- Nós vamos encontrar quem fez isso. Eu prometo, Sophy.
- Sim... Nós iremos encontrá-los. Obrigada, querido. Mas agora... Vamos à caça.

Ele balançou a cabeça positivamente, e fechou a porta, quando entrei no carro. Nossa noite estava apenas começando.






- Direita, na próxima rua. Uhum. Agora... Direita naquele sinal ali, e depois, esquerda. Estamos perto...

Mikhail seguia minhas instruções com precisão, guiando o carro, enquanto eu, de olhos fechados, nos levava para uma região no subúrbio da cidade, uma área pouco movimentada, ainda que houvesse casas e pequenos cafés e restaurantes abertos. Eu indicava o caminho sentindo a aura dos demais vampiros, uma habilidade que já me fora útil diversas vezes, e era característica dos clãs de vampiros que têm por elemento o espírito. Somos capazes de sentir a força da existência de qualquer ser. Não importa o que ele seja.

- Pode parar. Chegamos. Sinto muitos deles logo ali.

Mikhail estacionou o carro ao lado da calçada, que já acumulava nova camada de neve, mesmo após a limpeza feita pelo serviço municipal das ruas, no fim da tarde. Descemos do carro. Meu noivo olhou fixamente para um beco, enquanto vinha para perto de mim.

- Ali.
- Sim, ali. Vamos?
- Vamos.

Ele segurou-me pela mão, e entramos pelo beco estreito. Logo o espaço se abriu, em uma espécie de praça. E lá, do outro lado da praça, brilhavam as luzes amenas de um café movimentado. Um café cheio de vampiros.

Nacht #2: Verlegung

Ei galère, como estão? De volta para mais uma empreitada, agora com a Pris à frente do projeto (afinal, é a história da personagem dela ;D). De qualquer forma, não me perguntem o que esperar daqui pra frente, porque nem eu sei o que pode rolar nessa história! =O

Enfim, apreciem o primeiro capítulo do Mika nessa nova fase. O título quer dizer: "Mudança". Por que? Leiam! ;-)


_Fique para trás querida, eu cuido disso._eu falei, me colocando à frente de Sophia. Das sombras a nossa volta foram brotando vampiros, nos cercando lentamente, seus largos sorrisos deixavam à mostra os longos caninos. Eu sentia no ar o cheiro deles, a vibração de sua energia tenebrosa tentava inebriar meus sentidos. Dei um passo a frente, mesmo desarmado. Era meu dever proteger minha noiva a qualquer custo, e isso se tornara mais fácil com o tempo. Havia me acostumado a enfrentar vampiros, e havia treinado para momentos assim.

Puxei a luva que cobria minha mão esquerda, ajustando-a melhor. Eles pouco a pouco se aproximavam, fechando cada vez mais o cerco. Senti uma massa de ar se movendo a minha direita, e sem pestanejar, atingi em cheio o oponente, durante sua investida precipitada. Ao derrubá-lo, chutei-lhe o rosto, partindo-lhe os dentes sem dificuldade. Sorri e me preparei para a próxima investida, vinda de dois flancos, visando meu pescoço com voracidade.

Atingi o primeiro com um soco, porém senti o hálito do segundo mais próximo, sua boca aberta, pronto para me morder, quando ouviu-se um tiro seco, e a criatura caiu inerte aos meus pés. Ao olhar pra trás, Sophia me olhava, com um sorriso nos lábios, enquanto Friedrich segurava sua arma de caçador, o cano ainda fumegante. Falou, em um tom divertido e desafiador:

_Isso é um absurdo! Vampiros invadindo a casa de um caçador! Nunca ouvi tamanha falta de cortesia e bom senso! E você, Mikhail, não devia se esforçar tanto. Vamos lá, divirta-se.

Lançou-me minha espada já fora da bainha, a qual eu peguei no ar. Sorri, virando-me novamente para o grupo de vampiros que agora observava apreensivo. Abri os braços em desdém e disse:

_O que foi? Desistiram de atacar? Logo agora, que estamos em pé de igualdade? Covardes!

Com o orgulho ferido, meus algozes avançaram em um ataque apressado. Mais um erro. Cortei dois deles com um giro de minha espada. O terceiro caiu com um tiro de Friedrich, antes que pudesse me ferir com suas garras. Deixei que o quarto do grupo enterrasse suas presas em meu ombro, para que provasse do sabor da morte. Meu sangue, maldito e alterado, ardeu pela garganta da fera, e rapidamente se espalhou como vírus dentro do corpo de meu inimigo.

Avancei, pulando por sobre o corpo de meu oponente, que se contorcia em espasmos irregulares. Restavam poucos deles, que foram sendo eliminados rapidamente por minha lâmina, aliada aos tiros de meu sogro, que atingiam os alvos com precisão. O último deles Sophia prendera, ao chegar sorrateiramente até ele. Levamos ele para dentro de casa, para interrogá-lo sobre suas intenções ao invadir a propriedade de um Hunter famoso.

Colocamos o vampiro sentado em uma cadeira, amarrado a ela firmemente. Ele não dissera qualquer coisa até então, e parecia disposto a continuar calado, mesmo sob ameaça. Revistando seus bolsos, encontrei apenas um bilhete escrito em russo, minha língua nativa, porém sem nada de relevante, além de um encontro marcado para aquele dia, horas antes do ataque. Mas ao menos já sabíamos a língua de nosso prisioneiro.

Após explicar as coisas para minha família, decidi conversar com o vampiro, para tentar extrair dele qualquer informação.

“Meu nome é Mikhail, e preciso que me responda a razão de sua invasão a esta casa!”

“Vá pro inferno, humano maldito!”

“Esse humano maldito tem o poder de decidir se você vive ou morre, vampiro. Agora me diga, qual a razão de sua “visita”, e quais eram seus planos!”

“Vai me ver morto antes que eu fale qualquer coisa pra você.”

Suspirei alto. Aquele vampiro de língua afiada estava começando a me irritar. Peguei minha espada e pressionei contra seu ombro, até que um filete de sangue começasse a escorrer. O vampiro gemeu, enquanto meu sogro me olhava, levemente espantado.

“É melhor dizer, ou você terá uma morte horrível nas minhas mãos.”

“Se eu disser e sair vivo daqui, minha morte será ainda mais terrível do que a que tem planejada para mim, humano!”

Tirei a ponta da espada de seu ombro, e abri um fino corte em meu dedo com a lâmina. Passei o sangue em sua testa, com um risco rápido. Imediatamente, as propriedades de meu sangue começaram a agir, queimando-lhe a fronte. O vampiro berrou.

“O que é você? O que fez comigo?”

“Eu sou o flagelo dos vampiros. Meu sangue faz com que vocês queimem, apodreçam, tornem-se pó! Ainda acha que manter-se calado vai te salvar de alguma dor?”

Com a respiração entrecortada, o vampiro falou, com seu sotaque da Rússia.

“Fomos contratados para capturar Sophia Von Klaus, uma vampira foragida que estava exilada na Alemanha. Ao chegarmos aqui, recebemos esse endereço, e viemos pra cá. Na carta ainda dizia que ela era de extrema periculosidade, e por conta disso havia tantos outros no grupo. Não imaginei que era uma casa de hunters.”

“E da onde veio essa carta? Não havia remetente, ou endereço?”

“Bem, eles são clientes assíduos dos meus...”serviços”, e acredito serem uma organização grande, pois nunca recebo ligações da mesma pessoa.”

“Como sabem ser do mesmo grupo?”

“As cartas vêm sempre seladas com um símbolo específico, uma foice negra sobre um círculo branco. Nos telefonemas, sempre se identificam como Viikate.”

“Certo. E da onde vem as cartas?”

Após um período hesitante, nosso prisioneiro disse.

“Todas vem carimbadas da Dinamarca, mais especificamente de Copenhague.”

Virei para Sophia e disse, com um sorriso tranqüilo:

_O que acha de conhecermos a Dinamarca?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Nacht #1: Trauung

Como prometido... O tão esperado e requisitado primeiro capítulo! Os títulos serão em alemão, e, se quiserem saber o que significam, basta que leiam as besteiras que eu e o Al falamos antes da história. O título de hoje significa "Casamento" =)
Boa leitura!



Seis meses depois do incidente Kreuz, em nova visita à Alemanha. Férias de inverno...

- Agora não, Sophy... Só mais um pouco.
- Não seja bobo, me deixe ver! Eu quero ver!
- Vai ver daqui a pouco...

Mikhail não queria ceder de jeito nenhum. Meu pai também estava na sala, rindo das nossas bobagens. Ambos haviam me bombardeado de perguntas, na semana anterior, em um de nossos jantares: perguntar sobre cores favoritas, tipos de flores, doces e salgados, entre outras coisas. No começo pareceu mera curiosidade, mas logo fiquei desconfiada. Eis então que chegara, mas cedo, um álbum branco com desenhos que mal consegui ver, pois, assim que os recebera das mãos do carteiro, meu noivo apressou-se em tomá-lo de mim e colocá-lo fora de meu alcance. "Só depois do almoço", ele falou, rindo da minha expressão aborrecida.
Passei toda a manhã tentando convencê-lo a me mostrar. Birra, chantagem, nada funcionava. Até que, finalmente, a hora do almoço chegara, e eu, ansiosa, tratei de comer rápido, enquanto meu pai e Mikhail comiam lentamente, se divertindo com minha ansiedade. Terminado o almoço, fomos para a sala de estar, onde até então eu o perturbava.

- Mas você falou! Depois do almoço!
- Hmm... Ok. Está bom. O que acha, Senhor Wolff?
- Pobrezinha... Acho que já está de bom tamanho. Pode mostrar.
- Claro. Só um minuto.

Mikhail subiu as escadas, e, pouco depois, desceu, trazendo em mãos o álbum branco que escondera de mim. Sentou-se ao meu lado, e estendeu o livro para mim

- Abra... E nos fale quais gosta mais.

Ansiosa, logo olhei a primeira figura. Eram rabiscos de um local com árvores altas, como um bosque, mas que fora completamente decorado com cadeiras, arranjos de flores coloridas e laços de seda. Era lindo.
O segundo desenho era do interior de uma igreja com vitrais, também decorada com arranjos de flores pintadas em aquarela, e fitas de seda. Em seguida, alguns desenhos de pratos personalizados, que logo identifiquei como sendo versões especiais dos meus favoritos, tipos de flores e algumas lembranças de festa. Então, eu entendi.

- Pai... Mikhail... Vocês... - falava, quase um sussurro. Eles sorriram, e meu noivo tomou-me as mãos.
- E então, meu amor? Como prefere?
- Pedimos a uma decoradora para fazer esses rascunhos, para termos uma idéia de como ficariam - disse meu pai, vindo sentar-se também ao meu lado - Agora, só falta decidir como prefere, minha filha.

Abracei os dois com força.

- Obrigada... Eu amo vocês... Os dois. Minha família...
Eles também me abraçaram, e, passada a emoção da surpresa, escolhemos juntos os detalhes finais. Detalhes do casamento.

O resto da tarde passou de forma tranqüila. Ficamos todos do lado de fora da casa, conversando amenidades. Depois de meu pai entrar para dar as instruções sobre o jantar, eu e Mikhail fomos andar pela propriedade, com um céu nublado e escurecendo, e uma camada fina de neve sobre a terra gelando nossos pés. Foi quando um vento mais frio soprou, e eu tive um calafrio.

- Querido... Tem algo errado aqui.
- Eu sei. Atrás de mim, Sophy.

Fiquei um pouco atrás de meu noivo, olhando ao redor, apreensiva. E então, os inimigos se revelaram, saltando da floresta, em nossa direção. Demos um passo para trás, enquanto eles pousavam a 4 metros de nós. Eram seis ao todo, e vestiam a mesma capa preta que lhes cobria o rosto.

- Garota Von Klaus... Como é escorregadia - falou um deles, e pude ver presas em sua boca, quando sorriu - Mas não pode fugir para sempre. Vamos acabar com você aqui, e agora!

E dito isso, os seis correram para nós. Eram vampiros. E vinham sob as ordens do Conselho.

Der Engel des Todes: Immer Nacht (O Anjo da Morte: Noite Eterna)

E aí, indivíduos! Venho hoje alegremente informar que este é o post inaugural, sendo o próximo o PRIMEIRO CAPÍTULO DAS CRÔNICAS DA SOPHY! É isso aí!
Com um título que é uma simpatia só (como podem ver aí em cima, traduzidinho e tudo by eu), a segunda parte da história desse casal meigo agora se concentra da figura da Sophia, e de todo o mistério que envolve seu mundo, seu passado e o de sua família. A promessa é de capítulos caprichados. E no final, como é de costume, muitas surpresas. É ler para descobrir!

sábado, 27 de março de 2010

Crônica # 32: Grief

Tcharam! Ansiosos por esse capítulo? Espero que sim! ;)

Sem muito blablabla, só agradecemos a todos que acompanharam isso desde o início. Saibam que fizemos o possível pra entreter todos vocês, e espero que tenhamos sido bem sucedidos nessa empreitada. Mas não se preocupem, isso é só o começo!! :3

Sem mais delongas, deleitem-se!! =**


Meus olhos se turvaram no momento em que o sangue molhou o chão. O brilho da loucura nos olhos de Christian tornava-o ainda mais assustador. Minha noiva jazia inerte nos braços de seu algoz, um tremor cruzando minha face, num misto de dor e ódio pela impotência ali, preso firmemente por Elizabeth. Respirei fundo e, com um grito desesperado:

_Roberto, acabe com ela!

Senti então o sangue quente escorrendo por minhas costas, minha captora soltando com facilidade minhas mãos. Assenti para Roberto, que cravara minha espada nas costas de Elizabeth, atravessando seu peito. Peguei de volta minha espada, e fui de encontro aquele que destruíra minha vida.

_Afaste-se dela, demônio!_disse, brandindo a espada em sua direção. Christian sorria, ao largar o corpo de Sophia no chão, afastando-se alguns passos. Caí de joelhos, ao lado de minha noiva, o desespero me consumindo por dentro. Ouvi a voz de Christian, distante e suave:

_Vamos, meu filho... Tome aquilo que lhe pertence. Aquilo que lhe foi dado sem hesitação. Tome do coração que te Amou o dom supremo. A imortalidade é sua!

Segurei com firmeza o cabo de minha espada, a face oculta por sombras. Sem raciocinar ou ao menos ouvir o que meu ancestral tinha para dizer, perfurei meu pulso com a lâmina, e derramei sobre os lábios de Sophia o líquido vital.

_Acorde, por favor, acorde... Sophy, se for pra ser assim, eu prefiro que não seja...

Olhei então para Christian, resoluto. Meu ancestral me olhava com repulsa, e leve surpresa, vendo o sacrifício de meu corpo. Sustentei seu olhar reprovador por algum tempo, até que senti uma dor aguda e muito bem vinda no pulso.

As presas de Sophia entraram fundo em minha carne, e sugavam meu sangue em grandes sorvos. Sorri de alívio, mesmo sentindo a tontura causada pela falta de sangue, e a dor intensa em minha pele. Joguei minha espada a um canto, para que pudesse amparar a cabeça de minha noiva, que buscava o meu sangue, quase que desesperadamente. Fechei os olhos, a fraqueza tomando conta de mim. Sussurrei, fitando seus olhos vermelhos, selvagens:

_Tome o quanto desejar, meu Amor. Sem você, eu não preciso mais disto.

Pouco a pouco, ela foi recobrando a consciência, e ao dar-se conta da situação, soltou as presas de meu pulso, as lágrimas descendo por suas bochechas. Perguntei, reprovador, mas carinhoso.

_Sua boba... O que deu em você para agir dessa maneira?

Antes que ela pudesse responder, ouvimos a voz de Christian, fria e insana:

_Realmente, uma bela demonstração de Amor! Mas aça que ainda vão sair vivos daqui? Você me decepcionou, meu filho. Não merece ter nas veias o sangue que déia você! E você, por ter matado minha pequena Elizabeth...

Ao virar-me para ele, Christian segurava minha espada em uma das mãos, e com a outra, cobria a boca de Roberto. Sem qualquer chance de reação, deu um corte reto pelo pescoço de nosso companheiro, matando-o automaticamente. Engoli em seco, mal acreditando no que vira. Sophia, apertava minha mão, assustada.

_Maldito!_levantei-me, em uma raiva cega, e fui de encontro a ele, mesmo desarmado.Cambaleei, ainda enfraquecido com a falta de sangue, mas segui, decidido a destruí-lo.

Não serei assim tão covarde com o meu descendente._disse Christian, lançando a espada ao chão, no caminho entre nós. Peguei-a, ainda escurecida com o sangue. Estoquei velozmente, em sua direção. Antes que o atingisse, porém, uma tosca barreira de pedra se erguera em meu caminho. Por trás da construção, ouvi a voz de Christian:

_Você parece ter se esquecido de quem eu sou, garoto! Sou o maior mestre em alquimia no mundo. Nada é impossível para mim! Desista, e eu darei a você uma morte digna e indolor...

_Se há alguém aqui que vai morrer, esse alguém é você, desgraçado!_ respondi, saindo do quarto de Sophia, em perseguição. Minha noiva me alcançou, com sua adaga em uma das mãos, e a de Roberto na outra. Assenti silenciosamente, enquanto descíamos as escadas, na direção do laboratório.

Seguimos um apressado Christian, até o seu amplo escritório, onde há apenas algumas horas via uma demonstração do poder de meu ancestral. Ele agora perdera toda a austeridade anterior. Um largo sorriso na face, os cabelos bagunçados, o brilho da loucura no olhar. Com um estalo de dedos, as pedras da parede lateral se abriram, e de trás dela saiu uma criatura estranha.

_Venha minha quimera, esmague esses peões. Não preciso mais deles!_gritou Christian para o animal, uma mistura de leão e réptil, que rugiu, se preparando para avançar sobre nós. Fiquei em posição de guarda, prevendo o ataque da feroz criatura, que agora corria para nós, saltando, a boca aberta, capaz de arrancar minha cabeça com facilidade.

Abaixei-me sob seu pulo, e cortei-lhe o ventre com um só golpe. Parecera bastante fácil, o que era estranho. A criatura resfolegou, caída de lado. Porém, quase que automaticamente, os ferimentos começaram a se fechar, e a besta ergueu-se mais uma vez. Olhei de esguelha para Rozenkreuz, que tocava sua escrivaninha com a ponta dos dedos, observando a luta com um prazer doentio no rosto. A criatura recuou, e preparou um novo bote, desta vez visando minha noiva.

Ao tentar correr para ajudá-la, percebi a armadilha preparada por Christian. Meus pés não se moviam, e então notei que as pedras do chão me prendiam, imóvel. Ao que Sophia disse:

_Mika, meus pés estão presos!

Um segundo de pensamento, e decidi tirar os tênis. Christian não conseguiria manipular minha pele, afinal. Antes que pudesse alertar Sophia, vi o animal saltando, na direção dela, como fizera comigo, antes. Minha noiva arqueou as costas para trás, desviando do ataque da fera. Antes que pudesse se recuperar do ataque, Sophia se livrou dos sapatos e saltou sobre as costas do animal, decapitando-o com ambas as facas.

Virei para um consternado Christian, com a espada em punho. Avancei para ele, desejando por sua destruição. Cortei o ar, na direção de seu rosto, porém fui parado por sua própria espada, recém criada. Iniciamos então um duelo frenético, meu ancestral bloqueando meus golpes com facilidade.

_Pobre de ti, Mikhail, tendo de ser desperdiçado assim..._disse Christian, ao tentar me atacar, mas encontrando o bloqueio de minha lâmina.

_Eu ainda não perdi, “tio”._respondi com ironia, tentando encontrar uma brecha em sua defesa.

_Mas vai perder, por ter cometido um erro primário!

_Do que está falando?

_Você usa a minha espada sem minha autorização!_disse ele, e então, num golpe certeiro, partiu a lâmina de minha espada, e perfurou-me o ombro. Gemi de dor, a espada inutilizada caindo aos meus pés. A dor lacerante anuviava minha mente, e me levou a outro local...

Um senhor bem vestido jazia amarrado a uma parede, me olhando com raiva. Gritou, quando me aproximei:

_Maldito sejas! Seu manipulador, mentiroso!

_Sua ambição foi a sua queda, meu mestre... Eu disse a você que possuía a fórmula, apenas para atraí-lo até aqui. O senhor tornou-se um obstáculo para mim, com a sua ética e seus valores. A ciência deve prevalecer, sobre todas essas coisas!

_Criança tola, o que pretende fazer comigo?_o velho se debatia, impotente. Dava para ver que ele já esperava o destino que havia preparado para ele.

_O seu conhecimento tem um grande valor, e por conta disso, pouparei o seu cérebro, mestre. Porém, o resto de seu corpo é mera carcaça inútil._ao dizer isso, saquei um punhal da cintura, e preparei-me.

_Que a sua ambição também seja paga com a sua vida! Que o teu próprio sangue seja a sua queda, Chris...

_...tian Kreuz, o maior de todos os alquimistas!_completei, ao cortar-lhe a garganta._obrigado por sair do meu caminho, meu mestre. Ou talvez eu devesse dizer meu pai...?

Voltei à realidade, ainda sentindo a dor terrível da perfuração no ombro, e o frio chão sob meus pés descalços. Este novo ferimento causava ainda mais tontura. Christian ria, alucinado:

_Veja só, que vergonha! Mikhail, um jovem brilhante e promissor, capaz de grandes feitos, mal conseguindo parar em pé. Este é o seu fim, criança insolente.

E, erguendo sua espada sobre a cabeça, segurando-as com as duas mãos, meu ancestral preparava-se para o golpe final. Subitamente, um tremor sacudiu o chão.

De ambos os lados de meu inimigo, surgiram duas estacas de pedra, que se cruzaram através das mãos de Christian, perfurando-as, e mantendo-as unidas. Soltou então um grito alucinado, como se não sentisse a dor física há muito tempo. Olhei para trás, e vi Sophia, de joelhos no chão, um símbolo pintado à sua frente com o sangue da fera assassinada, um livro aberto ao seu lado. Ela encontrou meu olhar e disse, sorrindo:

_Alquimia é realmente uma ciência fantástica!_e, com uma expressão mais grave._agora acabe de uma vez com isso, querido..._lançou-me a adaga de Roberto, já sem o sangue da criatura maligna. Aproximei-me de Christian, que tentava lutar inutilmente, suas mãos sem forças para realizar um processo alquímico.

_O seu mal acaba aqui, Rozenkreuz. Faço agora a justiça, que há muito suas vítimas desejam._falava com calma e frieza. Meu ancestral rebateu:

_Seu idiota, não percebe que não há como me matar? Eu sou Christian Rozenkreuz, o imortal, o supremo!

_Você é somente um humano que já viveu demais. Ainda dói quando se fere, ainda sangra quando se corta._apontei para suas mãos inertes, perfuradas pelo poder que por tanto tempo cultivara. As estacas, tingidas de carmim, fez com que uma sombra de sanidade tocasse sua face, quando realizou sua delicada posição. Segurei-lhe o ombro e disse:

_Boa sorte, Christian Kreuz. Faço valer a maldição proferida por seu pai. Que o teu próprio sangue seja o teu fim._fiz um pequeno furo em meu dedo, com a adaga de Roberto, por onde um fino fio de sangue escorreu, sujando novamente a lâmina. Christian, antes de ter sua sentença cumprida, falou, numa voz franca:

_Me perdoe, Mikhail..._e a lâmina entrou em sua carne, sem encontrar resistência, como se meu sangue fosse um forte ácido. Perfurei seu coração num movimento suave, e no mesmo momento, os anos passaram a correr para meu inimigo em uma velocidade enorme. O tempo cobrou seu preço, consumindo todo o seu corpo em questão de segundos. Era o fim de Rozenkreuz.

A espada que ele segurava nas mãos despencou no chão, assim como eu, já muito enfraquecido. Senti Sophia me erguer e me arrastar para fora dali. Ergui-me, e subi as escadas, abraçado a ela. Levamos dali apenas a espada de Rozenkreuz, e o livro usado por minha noiva. Percebemos, ao voltar ao saguão, que a mansão já não tinha vida. Envelhecera como o próprio Christian, e estava em alto grau de degradação. Sophia, já a porta da velha casa, perguntou-me:

_O que faremos, Mika? O corpo de Roberto ainda está lá em cima. Acho que deveríamos ir buscá-lo, e dar um funeral digno para ele.

_Não, Sophy. Coloque isso nas mãos dele, e faremos um funeral a moda antiga. Vamos queimar esta casa, pois ainda há muita maldade aqui dentro. A casa de Christian Rozenkreuz, com todo o seu conhecimento, será a pira do professor Roberto._entreguei-lhe a adaga de Roberto, e esperei que Sophia voltasse.

Pouco tempo depois, colocamos fogo no subsolo da enorme mansão, e ao longe, enquanto caminhávamos de volta ao cemitério, podíamos ver a luz das chamas subindo ao céu noturno. Com a lua alta, chegamos de volta ao carro de meus avós. Sophia me colocou sentado no banco do passageiro, e sentou-se no banco do motorista.

_Me desculpe, Mika... Eu não imaginava... Christian me convenceu de que seria o melhor para você... _Sophia começou a dizer, mas eu a silenciei, abraçando-a firmemente com o braço são.

_Eu buscava a imortalidade por você, Sophia. Para que eu pudesse estar com você sempre, e não precisasse te causar dor, depois que eu me fosse. Mas, se o único jeito for perdendo você, eu prefiro morrer imediatamente._eu disse, afagando seus cabelos._Eu Amo você, mais do que a própria vida. E para sempre te Amarei, mesmo depois do fim de meu corpo...

Sophia retrucou, olhando em meus olhos, um leve sorriso nos lábios:

_Façamos diferente, meu querido. Ao invés de haver um sacrifício para que você se torne imortal... Quando chegar a sua hora, eu prometo sacrificar a minha imortalidade, para que possamos caminhar juntos, até no outro mundo.

_Então, que assim seja, Sophy, meu Amor._e, tocando seu queixo, beijei seus lábios apaixonadamente.


O legado de Christian tinha chegado ao fim, e eu desistira da imortalidade. Aproveitaria todos os anos de minha vida, ao lado de Sophia. Mesmo que não pudesse passar a eternidade do corpo ao lado da mulher que eu Amo, passaria então a eternidade da Alma ao seu lado. Mas este não é o fim da história, e sim apenas o início.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Crônica #31: Apathy

E aí, pessoas? Escrevendo na instiga! Agora, o finalzinho da saga Kreuz... Só mais um capítulo (que o Al fará a caridade de escrever assim que possível). Este, então, é o penúltimo capítulo da saga. É ler ou... Morrer na curiosidade! Apreciem com moderação ;x



Sentada em meu quarto, olhava as árvores e pássaros piando através da janela. Usava um vestido branco, com traços vitorianos, que me foi dado por Elizabeth. O silêncio anormal na casa, somado ao fato de Christian ter finalmente chamado Mikhail para uma conversa em particular apenas agravava, em minha cabeça, a sensação de que algo estava para acontecer.
Mikhail... Ele não pareceu, nem por um momento, perceber a angústia que se abatera sobre mim desde a noite anterior. E eu decidi que seria melhor assim. Se o que Christian falou fosse verdade, eu enfrentaria de cabeça erguida. A ilusão me fez feliz enquanto durou, e esse seria o preço a se pagar pela felicidade efêmera de nosso tempo enquanto noivos. No fim, talvez esse fosse desde sempre o meu destino: morrer, como todo Von Klaus, por seus ideais. Sem arrependimentos.
Foi então que ouvi barulhos lá fora. Alguém correndo, objetos caindo e se espatifando no chão, e, antes que pudesse concluir a razão de tanto movimento, virei-me para a porta e vi o próprio Christian me olhando, o semblante sereno.

- Como entrou aqui? A porta estava fechada - falei com certa frieza, mas já sabendo a resposta.
- Tenho meus próprios dons, herdados de minha amada esposa. Deve saber melhor o que aqueles de seu povo podem fazer. Mas agora... - ele se aproximou calmamente, e me tomou pela mão. Levantei sem me opor - É chegada a hora. É uma boa menina... Prometo que serei rápido, para que não tenha tempo de sofrer.

Ouvi então batidas fortes na porta, e alguém arfando do outro lado.
- Sophy? Sophy! Está me ouvindo? Abra! Vamos embora daqui! Agora!

Mikhail... Estaria ele tentando continuar a me enganar? Fingir até o final? Já não me importava mais. Apenas sorri de forma triste, enquanto Christian passava um dos braços pela minha cintura, gesticulando com o outro em direção à porta.

- Vamos reunir todos aqui... Todos prestigiando o meu filho.

A porta abriu-se com um clique, e Mikhail avançou por ela, seguido por um perplexo Roberto. A expressão dele era de transtorno, que se converteu em medo, ao me ver acompanhada de seu antepassado. Tinha a espada em mãos, e percebi que apertava-lhe o punho com força. Logo o medo transformou-se em ira.

- Solte-a! Eu já falei, eu me recuso a fazer parte disso! Recuso-me a ser como você! Sophy... Lute! Vamos embora... Sei que pode se soltar dele...
- Eu não vou fazer isso... - e nesse momento, meus olhos se encheram de lágrimas - Não era o que você queria, desde o início? Ser imortal? Então aceite o meu sacrifício...
- Não... Sophia... Não assim. A única razão que me faria querer ser imortal é ficar com você. Sem você, isso não faz sentido! Eu... Prefiro morrer a vê-la ferida... Ou pior...
- Não, meine liebe... - as lágrimas finalmente rolaram pelo meu rosto, e eu sorri - Se é assim... Por que você escondeu de mim que tinha visões? Por que ficou distante desde que chegamos aqui...?
- Sophy... Eu não quis...!
- Pode parar de fingir. Eu já sei de tudo... E eu... Fui muito feliz, não me arrependo de nada que vivemos juntos. E no fundo... Eu continuarei a viver, dentro de você...

Vi uma lágrima escorrer pelo rosto de meu noivo. Ele parecia sofrer... Mas era tudo falso. Deveria ser. Pensei ter sentido Christian suspirar brevemente, mas ele não se abalou. Chamou Elizabeth, e esta apareceu das sombras, trazendo, em sua bandeja, uma adaga de prata pura cravejada de rubis, que formavam o símbolo da Rozenkreuz.

- Eu não vou deixar...! - Mikhail avançou em direção a nós, mas Elizabeth, sorrindo, fez um movimento com as mãos, e ele foi imobilizado. Debateu-se, mas parecia impossível soltar-se. Alquimia.
Christian inclinou-me em um de seus braços, e sorriu.

- Será rápido, meu filho. Em breve irá se acostumar e apreciar a imortalidade. Seremos uma linda família! - E o sorriso alargou-se sadicamente, enquanto levantava a adaga acima de mim. Por um breve momento, sorri, olhando para aquele que eu amava.

"Adeus... Meu amor. Eu te amarei... Para sempre. Por toda a eternidade que eu puder te oferecer..."

Fechei os olhos, nos momento em que senti o metal frio perfurar-me o peito. Tudo escuro. Não houve tempo de gritar.

Crônica #30: The Choice at Hand

Fortes emoções na reta final dessa incrível saga!! Ahem... u.u

Bom leitores, fiquem aí com mais um capítulo! =***


No café da manhã do dia seguinte, Sophia não parecia muito animada, nem inclinada a conversar. Imaginei ser apenas um efeito do tempo enclausurada naquela mansão sombria. Mas logo teríamos mais respostas, ou então iríamos embora daquele lugar, que transbordava melancolia.

Ao fim da refeição, Christian me chamou, para uma conversa particular em seu laboratório. Assenti, animado por finalmente ter aquela fatídica conversa. Minha noiva, porém, pareceu abalada com a decisão de meu antepassado. Mas não falou nada a respeito, apenas me beijou a testa e disse:

_Boa sorte com ele, querido._e então eu desci, ao sagrado reduto de Christian.

O chão e as paredes eram impecavelmente limpos, imaculadamente brancos. Até mesmo o cheiro lembrava vagamente o de um hospital, porém os inúmeros animais e plantas que haviam ali contrastavam com toda a alvura daquele ambiente. Aves exóticas, diferentes de qualquer outra vista no mundo. Animais aparentemente selvagens, porém dóceis e leais ao seu mestre e criador. Algo de deixar Darwin com os cabelos em pé! Adentrei aquele ambiente, e Christian me levou até uma pequena sala anexada, que misturava laboratório e escritório. Sentei-me em uma das cadeiras, e Christian sentou-se, de frente para mim.

_O que você viu na outra sala, meu jovem, é a razão de minha existência, o motivo pelo qual estudei a vida inteira. Mas tudo isso você já sabe, não é mesmo? Bem, veja o maior problema das criações alquímicas simples...

Em silêncio, vi o processo, rápido e preciso, mas ao mesmo tempo, perturbador. Christian pegou pequenos vidros com substâncias diversas, e ia jogando-os sobre a escrivaninha freneticamente. Pegou então um punhado de areia, e jogou sobre a mesa, tocando a mistura com a ponta dos dedos. Símbolos surgiram por toda a mesa, e daquela mistura surgiu uma criatura rastejando. Bípede e escurecida, deu alguns passos vacilantes, e desabou novamente, voltando a ser meramente uma mancha sobre a mesa.

Engoli em seco, nauseado por aquela cena. Fitei o rosto de Christian, imperturbável como sempre.

_Triste, não acha?_disse ele, impassível_ A vida na alquimia comum tem um prazo de validade muito curto. Minerais, pedras preciosas, qualquer outra coisa é eterna, como um diamante, exceto a vida... Mas eu mudei isso, como pode ver. Mas como? Um elemento externo...

Fez então a mesma mistura sobre sua mesa, porém fez um pequeno corte em seu dedo, derramando algumas gotas de sangue sobre os elementos da criação. Ao tocar a combinação, uma pequena ave nasceu, como se tivesse acabado de sair de seu ovo. Era branca como um cisne, porém ainda muito pequena para dizer exatamente sua raça. Deu alguns passos, vacilante, porém logo se firmou, e começou a bicar a superfície da mesa, buscando alguma migalha para comer. Christian gentilmente pegou o pequeno animal, e colocou-o no chão, onde ele logo foi buscar a companhia dos outros animais. Observei, curioso. Onde aquilo ia parar?

Christian, como que lendo meus pensamentos, trançou os dedos de ambas as mãos, e encostou-se sobre a mesa, me olhando. Tomei coragem e perguntei-lhe:

_O que quis dizer com essa demonstração, Christian?

_Não percebeu ainda? Só estou dizendo a você que, para atingir a imortalidade, você precisa de um elemento externo. Só assim a manipulação da vida pode dar certo! Foi o que aprendi, em tantos anos de pesquisa.

_Então, bastam algumas gotas de sangue, para que eu possa...?

_Não, meu garoto. A imortalidade é um tesouro maior do que qualquer outro. As gotinhas de meu sangue que usei com aquele animal são suficientes para que ele viva uns dois ou três anos, se muito. A imortalidade é uma dádiva muito maior, e portanto, um sacrifício maior é exigido...

_Que tipo de sacrifício? _ao perguntar, algo em mim já sabia a resposta.

_Um corpo imortal. O coração pulsante de uma criatura imortal... A vida de sua vampira é exigida para o sucesso do ritual! Você fez bem em trazê-la até este ponto. Poderemos fazer o procedimento quando você estiver disposto, meu filho.

Senti como se as presas de uma cobra tivessem fincado em meu coração. Empalideci, sentindo-me fraco e impotente. Não, teria de haver outro jeito! Levantei-me, tomado por uma força que até eu mesmo desconhecia, e disse:

_De jeito nenhum, Christian! Ela é a razão para estar em busca da imortalidade! Se eu tiver que perdê-la para que me torne imortal, prefiro eu mesmo morrer!

Christian levantou-se calmamente, e sem qualquer aviso, deu-me um tapa no rosto.

_Criança insolente! Você não pode ser chamado de Kreuz! Não é forte o bastante para sacrificar aquilo que mais lhe é valioso, para um bem maior! Você poderia ser grande, se estivesse disposto a pagar o preço! Você me envergonha, Mikhail!

Dei as costas e saí, não sem antes dizer para mim mesmo, em voz baixa:

_Maldito velho, e eu ainda pensei que ele poderia me dar alguma solução real. Vou chamar todos, e vamos embora daqui agora mesmo!

Mas Christian tinha ouvido meu sussurro, e possuía seus próprios modos de impedir os meus planos.